De receita em panela elétrica a 30 mil pacientes: Santa Cannabis completa 7 anos

Associação de cannabis medicinal convida à exibição de documentário sobre sua história no sábado, no Centro de Florianópolis

Quando finalizou a primeira receita de óleo canábico, aprendida pela internet e produzida em uma panela elétrica de arroz, o empresário Pedro Sabaciauskis jamais imaginou que um dia atenderia 30 mil pacientes. Este é o número estimado de pessoas que já passaram pela Santa Cannabis, que completa 7 anos neste mês de janeiro.

“A gente saiu de uma produção de óleo canábico totalmente artesanal feita em casa para um nível de boas práticas farmacêuticas que compete de igual com produtos internacionais. Em 7 anos, houve uma curva de aprendizado bem rápida para mostrar a capacidade técnica que a Santa Cannabis tem”, conta Sabaciauskis, presidente da associação.

O crescimento da Santa Cannabis está ligada ao trabalho de diversos profissionais que lutam diariamente contra o preconceito que dificulta o avanço científico e o tratamento medicinal de milhares de pacientes. Atualmente, a Santa Cannabis possui 12.800 cadastros ativos.

“Já foram 20, talvez 30 mil pacientes que passaram pela Santa”, recorda-se Sabaciauskis. O ativista ressalta a eficiência do óleo canábico no tratamento de diversas patologias: fibromialgia, dor crônica, Transtorno do Espectro Autista (TEA), depressão, ansiedade, epilepsia refratária, síndrome de Tourette e de Dravet, entre outras.

A Santa Cannabis possui autorização judicial ao plantio de cannabis, em Itapoá (SC), e produz entre 800 e mil medicamentos canábicos por mês. A instituição ainda oferece suporte jurídico, médico e psicossocial aos associados e tornou-se, nestes 7 anos, referência nacional em cannabis medicinal.

“Temos 28 colaboradores diretos – indiretos devem ser o triplo devido a toda a cadeia que a gente movimenta, do cultivo à entrega. Na época de colheita, a gente aumenta esse número pra 50, 55 pessoas”, explica Sabaciauskis, que ainda vislumbra um longo caminho a ser percorrido.

Há uma expectativa em torno da consolidação do mercado de Cannabis medicinal no Brasil, que ainda precisa se consolidar para alcançar o patamar industrial necessário ao atendimento da saúde pública brasileira.

“Avançou pouco a pauta política, mas o debate em torno da cannabis medicinal melhorou, tem amadurecido como a sociedade. Mas os avanços foram poucos perto da rapidez com que as associações e o mercado como um todo avançam. A sociedade anda mais rápida que os órgãos públicos – eles estão atrasados! E o papel fundamental da Santa Cannabis é a pressão: levantar o debate, fazer conexões com setores universitários, sociais, políticos”, argumenta Sabaciauskis.

Para celebrar seus 7 anos, a Santa Cannabis promove um evento para lançar o documentário “A Santa Cannabis: uma história de amor e de esperança”. O filme será exibido no Largo Antonieta de Barros, no Centro de Florianópolis, no próximo dia 17, às 19h. O objetivo é seguir provocando a discussão pública em torno da cannabis medicinal e proporcionar tratamentos alternativos eficazes e sem efeitos colaterais.  

“O principal desafio é movimentar a cadeia produtiva catarinense, demonstrar força política a ponto de ultrapassar barreiras que o Estado não consegue avançar, como discussão na Anvisa, MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), as barreiras federais  que acabam atrasando o avanço do Estado”, completa o presidente.

Sobre a Santa Cannabis
Com sede em Florianópolis, a Santa Cannabis atende mais de 8 mil pacientes em todo o País, oferecendo suporte jurídico, médico e psicossocial. Desde 2023, possui autorização da Justiça Federal para cultivar e produzir óleo destinado aos associados.

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