Extrato canábico reduz dor e é seguro contra osteoartrite canina, comprova estudo científico

Produto foi fabricado pela Santa Cannabis, em Santa catarina, e é também indicado ao uso humano

Um artigo científico publicado por pesquisadores brasileiros na revista internacional Frontiers em 23 de novembro deste ano comprovou a segurança de um produto de cannabis para o tratamento de osteoartrite em cachorros. O remédio, ministrado a 17 cães em 90 dias, foi um extrato canábico “full spectrum”, que reduziu um pouco as dores sem apresentar efeitos colaterais significativos.

Houve redução da dor, embora não em níveis estatisticamente significativos, mas a pesquisa ressalta a segurança e a viabilidade do tratamento canábico como alternativa ao uso de anti-inflamatórios paliativos que prejudicam o funcionamento dos rins, fígados e estômago dos pets. O estudo duplo cego randomizado, feito por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), dividiu os animais em grupos submetidos a tratamento canábico e com placebo.

“Demonstramos que o THC é totalmente seguro para trabalhar com animais, especificamente cães. Clinicamente não houve nenhum problema com a parte motora e foi totalmente seguro do ponto de vista bioquímico”, explica o farmacêutico e coordenador do Laboratório de Cannabis Medicial e Ciências Psicodélicas (LCP) da Unila, Ney Nascimento. “Houve redução da dor, mas não de forma significativa. A pesquisa foi clinicamente interessante porque os pacientes ganharam alívio da dor, melhoraram clinicamente, aumentaram a locomoção, mas não foi estatisticamente significativo porque o número de pacientes era pequeno”.

O óleo canábico “full spectrum” utilizado no estudo foi desenvolvido pela Santa Cannabis, associação catarinense que possui autorização judicial para atuar em todas as etapas do processo: da importação da semente e cultivo ao fornecimento do produto canábico. Produzido a partir de plantas estabilizadas e cultivadas sob rigoroso controle sanitário, o remédio canábico preserva a interação entre canabinoides, terpenos e flavonoides – o que é chamado de “efeito entourage”, o que tende a gerar respostas terapêuticas mais amplas e estáveis.

“Na Santa Cannabis, extratos com esse perfil são utilizados há anos em tratamentos humanos, principalmente em dores crônicas, distúrbios neurológicos e condições inflamatórias. Embora a formulação específica do estudo seja destinada ao uso veterinário, produtos com composição semelhante são prescritos diariamente aos milhares de pacientes humanos que atendemos. Essa pesquisa reforça aquilo que vemos na prática clínica: segurança, eficácia e boa tolerabilidade, seja em humanos ou animais”, explica Pedro Sabaciauskis presidente da Santa Cannabis.

Com o avanço das pesquisas científicas em medicamentos e terapias canábicas, já é possível identificar o uso mais adequado a cada canabinoide. O óleo “full spectrum” utilizado no estudo, por exemplo, possui THC (efeito analgésico), CBG e CBD – ambos têm ação anti-inflamatória.

“Os animais apresentam sistemas endocanabinoides (presente em todos os vertebrados, é o sistema que interage com as moléculas da planta) muito semelhantes aos humanos e, por isso, respondem de forma positiva ao uso terapêutico da planta. Para pets que convivem com dor crônica, ansiedade, convulsões ou processos inflamatórios, a cannabis pode ser uma alternativa eficaz, com baixa toxicidade e poucos efeitos adversos quando administrada com acompanhamento profissional. É uma ferramenta que complementa — e em muitos casos potencializa — as terapias já existentes”, afirma Sabaciauskis.

Aprovação da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em outubro de 2024, o uso de produtos à base de Cannabis em tratamentos veterinários. Em novembro deste ano, a agência publicou o RDC 999, que atualiza a Portaria 344/98 e amplia o controle sobre produtos canábicos a humanos e animais. A regulamentação, entretanto, ainda depende do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“A regulamentação da Anvisa representa um marco importante. Ela traz previsibilidade, segurança jurídica e abre espaço para que o mercado veterinário se desenvolva com responsabilidade, pesquisa e qualidade. Para as famílias e para os profissionais da área, isso significa acesso a produtos seguros, padronizados e com rastreabilidade — requisitos essenciais em qualquer tratamento de saúde”, pontua o presidente da Santa Cannabis.

Há uma expectativa em torno da consolidação do mercado de Cannabis medicinal no Brasil. O CBD, estudado há décadas e que não possui efeito psicoativo, tem comprovada eficiência no tratamento de epilepsia, doenças neurológicas e degenerativas, glaucoma, mitigação de náuseas e efeitos colaterais de quimioterapia, entre outros.

Nos EUA, esse mercado foi avaliado em US$ 28 bilhões pela Forbes. Já a Kaya Mind, empresa especializada em dados de mercado no segmento canábico, indica que produtos veterinários à base de cannabis podem movimentar até R$ 1,45 bilhão no mercado brasileiro.

“São farmacológicos importantes e seguros – a gente sabe que é muito seguro! Isto abre um leque de possibilidades de bem-estar animal, principalmente de alívio de doenças respiratórias, degenerativas, neurogenerativas, depressão, epilepsia, ansiedade, que os animais têm também, displasia. É essencial que Anvisa e Mapa estimulem a produção de canabinoides para animais”, diz Nascimento.

“A expectativa é muito positiva. Acreditamos que o mercado veterinário será um importante vetor de expansão do acesso e da pesquisa em cannabis medicinal no Brasil — e a Santa Cannabis está preparada para contribuir com qualidade, responsabilidade e compromisso com a saúde”, finaliza Sabaciauskis.

Sobre a Santa Cannabis
Com sede em Florianópolis, a Santa Cannabis atende mais de 8 mil pacientes em todo o País, oferecendo suporte jurídico, médico e psicossocial. Desde 2023, possui autorização da Justiça Federal para cultivar e produzir óleo destinado aos associados.

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